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Primeiros Socorros em tempos de distanciamento, como proceder?

Durante a quarentena, imposta pelos órgãos públicos com a orientação da Organização Mundial da Saúde – OMS para barrar o crescimento de casos da Covid-19, é de vital importância ter os conhecimentos básicos de primeiros socorros para que, caso seja necessário, exista um atendimento prévio em casa. Em alguns casos em que as técnicas de primeiros socorros são aplicadas, não há sequer necessidade de levar o paciente até algum centro de saúde. 

Para nos ajudar a entender melhor sobre primeiros socorros, a enfermeira CEV, Hoberta Gomes, lista uma série de possíveis acidentes ou situações que podem precisar do uso das técnicas de atendimento prévio, como proceder e também como saber a hora certa de levar a criança para um atendimento profissional.

“Para começar,  acredito que seja importante lembrar que diante de uma situação em que sejam necessários os primeiros socorros, as pessoas não podem tomar medidas baseadas no que elas acreditam ou informações repassadas por outras pessoas leigas (mãe, avó, vizinhos), como por exemplo: uso de pó de café em feridas, creme dental em queimaduras, não dormir após bater a cabeça. Toda e qualquer medida deverá seguir o que a ciência recomenda”, explica a enfermeira.

Hoberta frisa também a importância de manter em casa um kit de primeiros socorros. Uma malinha contendo antisséptico, gases, luvas, esparadrapos, ataduras, algodão e soro fisiológico. Colocar o kit em local de fácil acesso para que, em alguma necessidade, ele seja encontrado rapidamente. Outro ponto importante citado pela enfermeira, é ter os números de atendimento de emergência sempre à vista. E, também, ensinar às crianças os principais contatos como do Samu (192), do Corpo de Bombeiros ( 86 3216-1264) e da Polícia Militar (190).

Trauma na cabeça

Um dos mais recorrentes em crianças, seja em casa ou em outros ambientes, o trauma na cabeça é também um dos que mais preocupam os pais. Aqui, o que deve ser feito é uma observação do estado geral da criança por até 72 horas, período em que podem surgir os sintomas que sinalizem algo mais grave. Muitas vezes as crianças podem apresentar episódios de vômito, palidez cutânea e sonolência. São sintomas que surgem na maioria dos casos e que duram um breve período, em torno de 15 a 30 minutos. Transcorrido esse tempo, a criança precisa voltar ao normal. Caso esse tempo seja excedido e a sonolência e os vômitos persistam por mais tempo e a criança comece a não responder a estímulos, com alteração no tamanho das pupilas, fala confusa e desequilíbrio ao andar, aí sim será necessária uma intervenção médica, no pronto socorro. Há também os traumas em que nenhum desses sintomas aparecem e nasce somente aquele famoso “galo”, nesse caso, os pais devem fazer compressas geladas, pelo menos três vezes ao dia, para que o hematoma regrida.

Trauma dental

Também surgindo com certa frequência, o trauma dental costuma acontecer de quatro formas mais graves: deslocamento dental, que deixa o dente mole por um tempo; fratura dental, quando o dente é quebrado, causando bastante dor à criança; luxação dentária, quando o dente entra para dentro da gengiva, provocando sangramento; e, avulsão dental, quando o dente é expelido da boca. Nesse último exemplo, o dente deve ser recolhido, lavado imediatamente com água filtrada e mantido em um ambiente úmido (um copo com água ou soro fisiológico) para que ele possa, se for o caso, ser reimplantado no lugar novamente.

Em todos esses casos citados acima deve-se procurar a ajuda de um profissional em uma urgência. Apenas pequenos ferimentos na boca ou gengiva, devem ser cuidados em casa, de preferência, com orientação por telefone do profissional de odontologia ou o pediatra da criança. Uma compressa gelada também pode ser utilizada nos casos mais leves.

Queimaduras

As queimaduras mais leves devem ser lavadas com bastante água corrente em temperatura ambiente, nunca com água gelada. Essa lavagem com água corrente deve durar, pelo menos, por 20 minutos para que todas as camadas da pele sejam resfriadas. Algumas pomadas podem ser utilizadas, mas sempre com indicação médica. Nesses casos, os pais podem ligar e pedir a orientação do pediatra. Nunca utilizar remédios caseiros como pó de café ou creme dental nas queimaduras, não vão ajudar. Em casos mais graves, com queimaduras de segundo ou terceiro grau, a criança deve ser levada imediatamente ao hospital. 

Ferimentos

Casos comuns em famílias com mais de uma criança em casa, são as mordidas. Os pais devem como primeira ação, higienizar o local do ferimento, lavando a região com água e sabão. Em seguida, a criança deve ser acalmada em posição confortável, no colo de algum familiar ou no sofá, ou mesmo deitada na cama, para que ela fique mais tranquila. Depois da criança mais calma, deve-se colocar uma compressa gelada no local do ferimento por uns 20 minutos (nunca coloque o gelo diretamente na pele, cubra-o com tecido, uma fralda ou toalha, por exemplo). Outros ferimentos leves possíveis são arranhões e abrasões e o procedimento a ser feito é também a higienização com água e sabão e, em seguida, fazer um curativo com antisséptico. Muitas mães ainda acreditam que não se pode cobrir o ferimento, pois a ferida precisa “respirar”, no entanto, se a pele fica exposta a outros micro-organismos ela pode desenvolver uma infecção. Então, é necessário sim colocar um bandaid ou uma gase para deixar o local bem protegido proporcionando a recuperação da área. 

Em casos de ferimentos mais graves, onde objetos podem romper a pele e até ficar encravados no corpo, deve-se ir imediatamente para o Pronto Socorro. Jamais deve-se retirar esses objetos, pois não se sabe o tamanho do ferimento interno e a retirada pode provocar hemorragia e aumentar as chances de uma infecção no local. Em caso de hemorragia intensa, não se faz mais o uso dos torniquetes, faz-se pressão com as próprias mãos utilizando um pano limpo até chegar à urgência.

Sangramento nasal

Moramos em uma região muito seca, então o sangramento nasal, em determinadas pessoas, é algo comum. A região nasal é muito sensível ao ar seco e as crianças estão sempre querendo remover alguma sujidade e acabam provocando ferimentos no local com as unhas. Nesses casos mais leves ou até pequenos acidentes, como uma bola atingir a região durante a brincadeira, o que pode ser feito é pressionar o nariz por 20 minutos, mantendo a respiração pela boca. Importante não inclinar a cabeça para trás, como muitos fazem, pois o sangue que está no nariz pode escorrer para a garganta, o que pode provocar até mesmo um engasgo. Os pais de crianças que possuem alguma patologia que provoque o sangramento, devem seguir a orientação do médico otorrinolaringologista que acompanha o caso especificamente. 

Fratura, luxação e entorse

Há diversas formas de fratura e infelizmente nenhuma delas poderá ser amenizada em ambiente domiciliar. Então, nesses casos, os pais devem procurar ajuda médica imediatamente. A única coisa que pode ser feita em casa é a imobilização do membro afetado, se for um braço, por exemplo, com uma tipoia improvisada feita com atadura para, pelo menos, aliviar um pouco a dor até a chegada ao hospital. Luxações também devem ser encaminhadas diretamente para o profissional de saúde. Em casos de entorses mais leves, pode-se fazer compressas geladas em casa (nunca use compressa quente, pois pode aumentar o edema e o inchaço). A compressa gelada deve ser usada de hora em hora no local afetado, se não houver melhora, deve-se procurar um profissional.

Engasgo

Importante começar dizendo que crianças pequenas nunca devem estar sozinhas sem a supervisão de um adulto, pois tendem a colocar objetos na boca sempre. Os principais sinais de que a criança está com obstrução das vias aéreas são: o corpo fica mais flácido, a boca e a ponta dos dedos vão ficando mais roxinhos e dificuldade respiratória caracterizada por um chiado. Os engasgos ocorrem com frequência e podem ser muito perigosos, então faz-se necessário que os pais e outros familiares conheçam as principais manobras de salvamento, como a Manobra de Heimlich. Veja o gráfico abaixo:

Intoxicação e envenenamento 

A intoxicação e/ou envenenamento também ocorrem com bastante frequência. Algumas famílias gostam de ter plantas em casa ou mesmo moram em sítios rodeados de vegetação. É preciso dar uma pesquisada, para saber que plantas podem ser nocivas às crianças, caso ingeridas. Ensinar a elas que não se deve colocar plantas na boca e de preferência manter a supervisão sempre. Nunca fazer chás como remédios caseiros se não houver orientação médica. Caso haja a ingestão de alguma planta tóxica, o cuidador deve retirar com muito cuidado o que restou da planta na boca da criança e colocar ela pra fazer enxague com água, lembrando de nunca deixar a criança engolir esse líquido. Guardar um exemplar da planta e levar a criança imediatamente ao hospital.

Para envenenamento por animais peçonhentos, produtos de limpeza ou até mesmo medicações, o procedimento deve ser o mesmo. Nunca tentar fazer a criança vomitar, pois pode gerar uma piora do quadro. Nesses casos, dificilmente a situação será contornada em casa, sempre levar à urgência. 

Artigo escrito com o auxílio da enfermeira CEV, Hoberta Gomes (COREN 271.564)