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Como lidar com as mentiras das crianças? Veja orientações da psicóloga.

Em determinado momento da infância, as crianças podem confundir o que é realidade do que é fantasia, isso pode gerar uma sequencia de relatos não verdadeiros por parte dos pequenos. Acompanhamento e muito diálogo são essenciais nesse período, para que as mentiras não se tornem recorrentes e nem atrapalhem o desenvolvimento desses indivíduos. Abaixo, a psicóloga CEV, Ligia Dantas, lista algumas atitudes que pais e responsáveis devem tomar, caso seja necessário.

Na fase de desenvolvimento, dos 4, 5 ou 6 anos de idade, a criança ainda não consegue distinguir muito bem a realidade da fantasia. Os limites entre o que é real e o que ela imagina ou sonha ainda não são claros. Nessa idade, elas podem achar que o sonho é real e até confundir sonhos com lembranças. É nesse período também que surgem os amigos imaginários, que fazem parte dessa fusão entre realidade e imaginação, o que é completamente natural e saudável nessa fase, de acordo com Lígia.

“Quando a criança disser que não foi ela que fez algo ou ela contar uma história que os pais perceberam não ser verdade, é importante conversar com ela para entender se ela está fantasiando ou mentindo. Entender essa diferença, garante que os pais não punam a imaginação e a criatividade dos filhos, o que pode prejudicar o desenvolvimento cognitivo e o desenvolvimento da autoconfiança”, frisa a psicóloga.

Lígia reforça ainda que, a ameaça de punição pode ter o efeito contrário, reduzindo a probabilidade de a criança contar a verdade. “Os pais devem encorajar os filhos a dizerem a verdade e serem honestos. As punições mostram à criança como não agir, entretanto os efeitos são temporários, funcionam somente na presença de quem pune e não atingem o motivo que mantém o comportamento indesejado. Ameaças vazias como: deixar a criança uma semana sem celular; um mês de castigo ou bater, muitas vezes tem intenção de colocar medo na criança para que ela não desrespeite as regras. E o que provoca a mentira? O medo. Entenda que medo não aumenta autoridade, ele faz com que a criança aja escondido e depois não fale a verdade”, esclarece.

Para lidar com a situação, a psicóloga orienta que os pais ou responsáveis procurem um jeito lúdico de explicar que a mentira não é saudável. Utilizando, por exemplo, historinhas que façam a criança perceber o que acontece quando não falamos a verdade. “É importante que os pais sejam receptivos e sempre estejam abertos a escutar o que os pequenos têm a dizer. E se o seu filho mentir, não se desespere e nem questione seu papel como pai ou mãe. Perceba a situação como um convite para construir um ambiente com mais diálogo e escuta.  Quando criamos esse espaço de acolhimento, a mentira perde sua ‘utilidade’”.

Outra coisa que a profissional orienta e que os pais podem fazer é valorizar quando a criança ela é honesta e sincera, principalmente quando ela assume que agiu de forma inadequada. “Uma forma de fazer isso é, se você perceber que a criança quebrou uma regra, mas foi honesta, dê algum privilégio por ela ter assumido o erro. Por exemplo, deixe ela brincar por mais tempo de algo que goste, ter acesso a algo que não tem normalmente, diga que está feliz e orgulhoso por ela ter dito a verdade.  Pensamentos como ‘falar a verdade é obrigação, não vou premiar por isso’ não ajuda em nada caso você queira que a criança continue sedo honesta. Ela ainda não entende com clareza o que é ‘obrigação’ e vai aprendendo ao longo do desenvolvimento”.

Lígia alerta ainda que, caso o problema persista e as mentiras se tornem recorrentes, pode ser uma indicação de que algo não está bem. “Nesse momento, é necessário um grande empenho dos pais. Procurar entender o que seu filho quer dizer com suas mentiras; que necessidades ele ou ela está tentando preencher. E, se necessário, procurar a ajuda de um profissional para lidar com a situação”, finaliza a psicóloga.