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Birra: entenda esse comportamento

Uma das queixas mais frequentes quando falamos sobre comportamento infantil, diz respeito às birras: os comportamentos considerados inadequados ou “exagerados” como chorar de maneira intensa ou até atirar-se no chão sinalizando querer algo. Muitas famílias vivenciam momentos parecidos, que podem variar em intensidade ou frequência, mas em sua maioria trazem a dúvida de como lidar de maneira mais assertiva com o problema.

Inicialmente, é importante lembrar que se trata de um comportamento comum, e que é necessário compreender sua função, ou seja, o que a birra busca sinalizar, pois cada criança é única e se expressa de maneira individual, sendo importante o olhar atento para identificar e diferenciar um choro de dor, por exemplo, de um choro de birra. Cabe ressaltar que a criança não nasce “birrenta”, mas aprende a emitir tais comportamentos à medida em que recebe algo positivo, como atenção, ou afasta algo negativo, como sair de um castigo, por exemplo.

Como agimos frente ao comportamento da criança influencia significativamente a manutenção ou o fortalecimento dele. Podemos pensar em uma situação corriqueira: o filho pede algo no supermercado e é negado, nesse momento ele chora intensamente e atira-se no chão, até que os pais cedem e entregam o que foi solicitado. Nesse caso, a birra teve consequência positiva, logo há grande probabilidade desse comportamento se repetir.

Então, para lidar com as birras, inicialmente é preciso identificá-las e compreender em que situações acontecem. O ideal seria a prevenção, ensinando às crianças maneiras mais adequadas de se expressarem, mas isso nem sempre é possível. Assim, se esses comportamentos já estão presentes, é importante não permitir que gerem consequências positivas, ou seja, não ceder à birra oferecendo aquilo que é solicitado. Se o “não” é dito quatro vezes durante a birra, mas na quinta vez há o “sim”, ensina-se à criança que aquele comportamento é eficaz, o que tende a fortalecê-lo. É preciso ser firme e permanecer nessa postura até que a birra cesse. Mesmo que o pai mude de ideia e queira atender ao pedido do filho, o ideal é esperar que ele se acalme e solicite de maneira mais adequada, podendo o adulto dar um modelo de como pedir.

Outra dica eficaz é se antecipar, por exemplo, estabelecendo regras como “refrigerante apenas no final de semana”, ou “videogame apenas depois da tarefa”, mas sempre as seguindo, pois se os pais cedem uma vez ou outra, isso pode fortalecer a birra. Além disso, é preciso, desde cedo, ajudar as crianças a expressarem de maneira positiva suas emoções e sentimentos, isso ajuda significativamente, pois os comportamentos aqui descritos, em sua maioria, aparecem em momentos de frustração, com os quais é preciso aprender a lidar de forma mais tranquila.

 

Artigo feito pela psicóloga CEV Juliany Paiva - CRP 21/02502