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De estudante para estudante: o Projeto de Tutoria e suas contribuições para novas formas de aprendizado

O CEV acredita que oportunizar iniciativas que colocam os jovens na condição de participantes ativos contribui para uma formação mais completa do perfil de estudante e também de cidadão. O projeto de Tutoria, implantado pela coordenação de Disciplina e Rendimento da escola há três anos, é uma das ferramentas que estimulam essa postura e que tende a contribuir para um aprendizado mútuo entre estudantes, funcionando como uma espécie de rede de solidariedade do conhecimento.                 

Essa prática sai da rotina tradicional em que o professor é o único responsável por repassar conhecimento. Através dela, aqueles estudantes mais experientes em determinado conteúdo podem colaborar com os demais, o que tende a potencializar e facilitar o aprendizado. Voltada para as disciplinas de exatas – matemática, física e química – os encontros da Tutoria acontecem no turno contrário ao das aulas, também nas dependências do colégio, e os tutores se comprometem a disponibilizar pelo menos duas horas semanais para os interessados em tirar possíveis dúvidas sobre o conteúdo anteriormente ministrado. Embora o foco da Tutoria seja a área de exatas, eles também podem prestar auxílio em outras disciplinas, caso surja interesse dos alunos e haja habilidade e a disponibilidade.

A ideia foi implantada há três anos na escola pela psicóloga e coordenadora de Disciplina e Rendimento do CEV Unidade Frei Serafim, Wellina Gondim, que explica que o projeto pretende não apenas ampliar o auxílio ofertado aos alunos com dificuldades, mas também visa estimular o potencial daqueles que se destacam pelo seu desempenho e bom comportamento. “Esse projeto é de considerável relevância na vida do nosso aprendente, uma vez que contribui para a consolidação do conhecimento e para o desenvolvimento de outras importantes habilidades na formação do mesmo, tais como: a oratória, a autoconfiança, a sociabilidade, o raciocínio lógico, a responsabilização, o espírito de liderança, a empatia nos relacionamentos interpessoais, dentre outras”, afirma.

A Tutoria é ministrada por estudantes do 9°, 1° e 2° do Ensino Médio para turmas do 6° ano do Ens. Fundamental ao 2° ano, e atualmente acontece nas Unidades Frei Serafim e Kennedy. O processo de seleção dos tutores acontece assim: no início do ano letivo, a coordenadora passa de sala em sala convidando os interessados, que posteriormente serão avaliados pelo desempenho nas notas das respectivas disciplinas ainda no primeiro ciclo de provas e pelo comportamento. O grupo selecionado permanece realizando o trabalho voluntário o ano inteiro.

Conversando com alguns desses jovens é possível perceber que o interesse em participar parte principalmente da capacidade de empatia, e alguns deles, inclusive, já tinham o hábito de auxiliar os colegas de classe dentro da rotina, como relata o Davi Daniel Lopes Duarte (15 anos – 1°D): “Assim que eu cheguei no Cev eu senti certa facilidade em absorver os assuntos, de forma que não me exigia muito estudo extra, até mesmo pela didática dos professores, que é muito boa. Então eu costumava ajudar meus colegas que tinham mais dificuldade, no meio da aula ou vindo à tarde para estudar com eles. Quando surgiu o projeto de Tutoria, eu pensei: ‘bom, já que eu já faço isso seria bom pelo menos regularizar essa ajuda que eu dou para os meus colegas’. Aí as técnicas que eu utilizava para ensinar foram aprimoradas com o tempo”, explica.

Para ele, nesse papel é possível se compreender como colaborador de bons resultados a curto, médio e a longo prazo na vida de outras pessoas: “É algo gratificante você ver as pessoas que você ajuda conseguirem tirarem boas notas  e a aprovação naquela matéria, saber que no futuro elas conseguirão passar no vestibular, terão reconhecimento da escola e a parabenização dos pais, que elas conseguirão ter um bom trabalho, e que você foi uma parcela de cada uma dessas conquistas”. Davi reforça também que desde que começou a realizar tutoria percebeu que tem aprendido mais. “Quando você ensina, você também aprende. A própria Cora Coralina disse isso, ela que é uma grande pedagoga. E no momento em que você vai ensinando vai fixando o assunto, porque você repete uma vez, repete outra, e isso te ajuda a não mais esquecer”, diz o menino, que além das aulas de matemática, física e química também tem dado aula de inglês após ter criado com a coordenadora uma tutoria específica da disciplina.

O Abimael Alves Brandão Filho (16 anos - 2° F) conta que por gostar de estudar e responder exercícios de física e química, era sempre procurado pelos colegas principalmente antes e depois das provas, para ajudar a resolver as questões que eles tinham dúvidas, e que desde que começou a dar aulas pela Tutoria, tem aprimorado seu método de ensino. “Eu sempre tento responder antes as listas que os professores entregam e passo de uma forma mais resumida e mais fácil da pessoa absorver o conteúdo. Depois que eu dou minha aula ou mesmo durante ela, eu percebo no olhar ou no jeito que a pessoa interage se ela está aprendendo de fato, e quando isso não acontece, eu sempre busco tornar mais fácil para que ela aprenda. Sempre depois da prova equivalente ao conteúdo que eu ministrei na aula eu pergunto ‘E aí, como foi? Ajudou?’, e a maior parte das pessoas que participam me dão uma resposta positiva, se não, eu me ofereço para ajudar novamente”, relata.

Ele ainda afirma que tem percebido como tem evoluído na capacidade de absorver o conteúdo e de transmitir o que sabe: “Antes eu percebia que muitas vezes eu tinha o conhecimento e não conseguia passar para frente, e isso era muito frustrante. Com a Tutoria eu percebi que ao mesmo tempo em que eu ensino alguém eu também aprendo, ao mesmo tempo em que eu vou passando conhecimento eu vou também recebendo. É um processo múltiplo, sabe? – porque eu não chego aqui sabendo de tudo, né? – então me ajuda a estar mais preparado”.

Também na opinião da Ana Teresa de Sousa Ibiapina (14 anos – 9°C), que dá aula das três disciplinas e de inglês, tudo isso contribui como estímulo do desempenho pessoal: “É diferente quando você tem que entender tudo para explicar para outra pessoa, então acaba que você se torna mais responsável com seus estudos”. Ela diz acreditar que essa forma de ensinar tem uma possibilidade de alcance diferente da tradicional - entre professor e aluno – devido à proximidade de idade, onde a linguagem e modos semelhantes levam a outro tipo de interação que favorece o aprendizado: “Muitos têm vergonha de perguntar em sala, e isso não acontece na tutoria. Como eu sou amiga deles e convivo todo dia, eles acabam não tendo problemas em perguntar besteira, e da maneira que a gente ensina é diferente, é mais divertida!”.

O Davi, o Abimael, a Ana Teresa e todos os nossos outros tutores são exemplos daquilo que defendia a sábia Cora Coralina: "Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina".