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Os benefícios do reforço positivo na educação da criança

Educar uma criança não é uma tarefa fácil. As crianças aprendem todos os dias e as principais referências são as figuras dos pais e demais educadores, que devem se compreender como responsáveis por transmitir valores fundamentais na formação da personalidade do indivíduo. Os adultos sempre esperam que os pequenos façam o melhor e se superem, assim, muitas vezes se concentram no que eles não fizeram bem e tendem a chamar atenção, cobrar e criticar acreditando que essa é a forma mais eficaz de estimular o comportamento adequado. Mas será que não seria possível estimular essa conduta mais positiva na criança reforçando o que ela já faz de bom?

Na psicologia, o manejo do comportamento feito através de reforço positivo é estudado e ele representa aquilo que se chama de técnicas de modificação de conduta que consistem, em termos gerais, em valorizar as condutas corretas das crianças. Existem várias formas de estabelecer esse reforço positivo: um abraço, um elogio, um passeio, um presente... Mas quando se decide colocá-lo em prática, deve-se ter consciência de como e quando utilizá-la, em benefício de um equilíbrio. Afinal, a intenção não é condicionar a criança para que espere sempre uma recompensa por cada atitude sua correta – o que, consequentemente, implicaria em outros problemas – e sim fazê-la compreender que suas atitudes têm consequências, por isso, os reforços devem suceder as ações, nunca precedê-las, e é fundamental que tudo isso passe pelo diálogo.

Segundo a psicóloga Layse Policarpo, do CEV Colégio Unidade Frei Serafim, é importante que a criança relacione qual a consequência do comportamento emitido para que aumente a chance deste comportamento acontecer novamente, caso seja positivo, ou não se repita, caso seja negativo. “Explicar para a criança em uma linguagem simples e de forma direta quais os benefícios de reproduzir ou não determinado comportamento, possibilita o entendimento e faz com que o que foi ensinado seja reproduzido, inclusive, em outros ambientes”, afirma.

Ela também lembra que o reforço positivo não deve acontecer apenas quando a criança realiza o comportamento considerado ideal, mas também as tentativas e o empenho nele aplicado. Isso colabora para que ela compreenda que está no caminho certo e, consequentemente, também se sinta mais autoconfiante. “É importante reconhecer e reforçar um comportamento adaptativo. Valorizar o esforço e a melhora do comportamento desejado, ainda que não tenha alcançado o nível esperado, ajudam a desenvolver um maior repertório de comportamentos pró-ativos, sentimentos como satisfação e bem-estar, favorecendo que o comportamento emitido torne-se habitual”, explica ainda a psicóloga.

Desse modo, é possível compreender que estimular o uso de reforços positivos é, antes de tudo, estimular interação na rotina de pais e filhos. Todo mundo sente que a correria do dia a dia dificulta os encontros e a manutenção das relações, mas mesmo dentro dela é possível sim criar vias de oportunidades ou buscar melhor aproveitar as que existem. O interesse pela rotina escolar, por exemplo, pode ser demonstrado de diversas formas: perguntando sobre as aulas, o conteúdo das matérias, os professores, os coleguinhas, acompanhando o boletim, ajudando na tarefa de casa, participando das reuniões e das festividades, comemorando as conquistas, etc.

Para além disso, o incentivo a enfrentar os desafios e a comemorar as conquistas da criança pode vir também através de outras alternativas de oportunidades criadas. A Joyce Magalhães é um exemplo disso. Veterinária e mãe de dois dos nossos aprendentes, Yasmin (4) e Yuri (8), conta que mesmo com a vida profissional agitada, busca formas de acompanhá-los na rotina escolar e em atividades de lazer. Ela, que se matriculou na mesma escola de balé da filha e acompanha o filho nos treinos do futebol, explica que faz disso um momento oportuno de interação: “Essas atividades representam para eles lazer, são maneiras deles extravasarem sentimento. Apesar de eu estar lá assistindo, é um momento deles, e no qual eu participo. É o meu momento de dizer o quanto eles fazem aquilo bem, o quanto é bacana aquele jogo, o quanto foi legal aquele passo de balé que ela fez com graça, então eu acho que é isso que aproxima a relação da gente”.

Mais que apenas para a interação, esses momentos também se tornam propícios para a educação, seja através do diálogo, seja através do exemplo: “Eu tento fazer o possível para levar ele para o futebol, e, mesmo que eu não consiga chegar no horário certo, chegue 10 ou 15 minutos atrasada, eu não deixo de levar. Porque eu entendo que há expectativa neles, então se eu me atraso por algum problema, eu acho injusto privá-los dessa recompensa, porque eles fizeram a tarefa direitinho, eles se prepararam e obedeceram para poder fazer as atividades que eles gostam. Então, independente se eu vou me atrasar ou se eu vou pegá-los muito adiantado, eu me preocupo em cumprir minhas promessas e ensinar a eles que compromisso é compromisso”, explica.

Esse acompanhamento também influencia na capacidade de identificar quais as dificuldades da criança e colaborar para a superação delas. Joyce conta que quando Yuri começou no futebol queria ser zagueiro, mas que pela estatura teve dificuldade com a velocidade que a posição em campo exige: “Em um primeiro momento ele quis sair do futebol e eu disse: ‘ meu filho, não é porque você tem dificuldade que você tem que abandonar uma coisa. Você não gosta de futebol? Você acha que é certo abrir mão disso porque o seu rendimento não esta satisfatório? Se você não consegue correr tanto quanto o coleguinha então é uma coisa que você tem que trabalhar pra melhorar ’, ai ele pensou, pensou e decidiu que passaria a ser goleiro. E agora ele está sendo ótimo nisso, inclusive, valorizado pelo time, e isso faz bem pra autoestima dele. Depois disso, voltamos a conversar sobre: ‘Olha, você superou o obstáculo, e a vida é assim!’ ”.

Ainda nesse sentido, ela diz que busca trabalhar a autonomia e o equilíbrio dessa autoestima. O filho normalmente tira notas excelentes e tem bastante habilidade em matemática, mas recentemente tirou uma nota baixa. “Conversamos sobre isso e eu expliquei para ele que a autoconfiança em exagero fez com que ele relaxasse, não revisasse o conteúdo para a prova e nem a respondesse com paciência, e que para ser o melhor em alguma coisa a gente tem que trabalhar naquilo todos os dias”.

Skinner (1904 – 1990), o psicólogo e cientista do comportamento e do aprendizado, nos traz a reflexão: “O que é o amor exceto outro nome para o uso do reforçamento positivo?”. Em todos esses exemplos é possível compreender os benefícios do reforço positivo. Através dos pequenos detalhes, grandes aprendizados. Através do contato, o reforço do amor.