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Alimentação na infância até os dois anos

Comer é algo intuitivo, primário, uma necessidade básica do ser vivo, não é mesmo? Mas, mesmo assim, falar de alimentação e, em especial, alimentação na primeira infância não é nada simples. A alimentação do lactente (criança menor que 2 anos) depende exclusivamente do que é ofertado a ele. Nesta idade a criança não tem habilidade para selecionar, buscar ou preparar alimentos. Além da dependência inerente da idade, a ato de “dar comida” é algo cultural e social. Fartura alimentar nos dá a sensação de bem-estar, de ambiente acolhedor, propicio a alegrias e boas relações.

É justamente devido a esta necessidade nossa, dos adultos e cuidadores, de transferir para as crianças a relação que nós construímos ao longo do nosso desenvolvimento com a comida, que cometemos alguns deslizes na prática alimentar dos bebês.

Considero fundamental o entendimento de dois aspectos para a prática da introdução alimentar na infância:

  1. É nessa fase da vida que iremos criar hábitos e treinar o paladar, ou seja, o costume adquirido será levado para a vida adulta;
  2. A relação da criança de até dois anos com a comida é completamente diferente da nossa relação com a alimentação. A alimentação nessa idade tem como função garantir crescimento e desenvolvimento, treinar habilidades para a vida futura e criar relações com o ambiente familiar e social em que a criança está inserida.  

Como algo tão natural e instintivo possui tantos aspectos a serem considerados e praticados? Justamente por isso torna-se complexo. O essencial para você que tem uma criança em introdução alimentar é que tenha o suporte de uma equipe treinada e preparada para lhe ajudar e esclarecer dúvidas, antecipando-se a hábitos comuns na nossa sociedade.

Para facilitar, o Ministério da Saúde produziu um documento que elenca os 10 passos para a alimentação saudável que iremos reproduzir aqui na integra:

Passo 1 - Dar somente leite materno até os 6 meses, sem oferecer água, chás ou qualquer outro alimento;

Passo 2 - Ao completar 6 meses, introduzir de forma lenta e gradual outros alimentos, mantendo o leite materno até os dois anos de idade
ou mais;

Passo 3 - Ao completar 6 meses, dar alimentos complementares (cereais, tubérculos, carnes, leguminosas, frutas e legumes) três vezes ao dia, se a criança estiver em aleitamento materno e 5 vezes ao dia se já estiver em desmame;

Passo 4 - A alimentação complementar deve ser oferecida de acordo com os horários de refeição da família, em intervalos regulares e de forma a respeitar o apetite da criança;

Passo 5 - A alimentação complementar deve ser espessa desde o início e oferecida de colher; iniciar com a consistência pastosa (papas/purês) e, gradativamente, aumentar a consistência até chegar à alimentação da família;

Passo 6 - Oferecer à criança diferentes alimentos ao dia. Uma alimentação variada é uma alimentação colorida;

Passo 7 - Estimular o consumo diário de frutas, verduras e legumes nas refeições;

Passo 8 - Evitar açúcar, café, enlatados, frituras, refrigerantes, balas, salgadinhos e outras guloseimas, nos primeiros anos de vida. Evitar uso de sal até 1 ano de idade;  

Passo 9 - Cuidar da higiene no preparo e manuseio dos alimentos; garantir o seu armazenamento e conservação adequados;

Passo 10 - Estimular a criança doente e convalescente a se alimentar, oferecendo sua alimentação habitual e seus alimentos preferidos, respeitando a sua aceitação;

Como podemos observar, são raras as proibições. A alimentação depende do contexto familiar e social no qual a criança vive e depende de orientações, tentativas e bom-senso.

Devemos frisar que o consumo de mel deve ser evitado no primeiro ano de vida devido ao risco de transmissão de botulismo e não deve ser frequente nos primeiros anos de vida devido a alta carga de açúcar.

Em caso de dúvidas, procure sempre um profissional para ajudá-los. 

Fonte: Ministério da Saúde